Foi agora, a ver pela segunda vez a reportagem da RTP para tentar denegrir o trabalho dos agentes do BOPE (Batalhão de Operações Especiais) Brasileiro, que me dei conta de que nos estamos a aproximar cada vez mais daquelas imagens no nosso paÃs.
Não gosto de ver este tipo de reportagens pelos "media"... Uma das entrevistas deu-se durante uma operação liderada por um tenente para efectuar uma "detenção" de um assassino de um militar. É óbvio que o BOPE não ia deter nenhum criminoso. Primeiro porque os criminosos não se rendem, porque sabem que se renderem são enxovalhados pelos polÃcias e mal saiam, serão mortos pelos bandidos do seu próprio "Comando"; segundo, porque o BOPE foi criado como medida de devolver o medo causado pelos traficantes aos polÃcias convencionais - o BOPE deve causar medo nos traficantes, não pode nunca dar parte de fraco...
... e viu-se que aquele traficante, fosse quem fosse, não ia sobreviver para dar qualquer entrevista. No entanto, o(a) jornalista lembrou-se de perguntar se a operação não teria sido propositadamente violenta, como que um castigo para o traficante... Claro que foi! Mas o tenente do BOPE conseguiu ser muito diplomata na sua resposta e forneceu a entrevista mais politicamente correcta que podia.
Este é o dia-a-dia do Rio de Janeiro e São Paulo, cidades cada uma quase com mais população do que todo o Portugal. No meio de tanta gente, os fossos entre ricos e pobres são profundos... mas tão profundos que nem sequer imaginamos. As pessoas nas favelas são facilmente corrompidas pelos "Comandos" geridos por traficantes que precisam todos os dias de novos colaboradores para substituir os que perderam na batalha com o BOPE na noite anterior. O cidadão comum da favela não tem muita escolha... Ou se rende a trabalhar para os traficantes ou tenta fazer uma vida normal. Todos os dias se arrisca a ser morto num dos confrontos entre gangs ou com a polÃcia.
Naquele paÃs até se compreende. Lá parece-me que está muita coisa perdida, até porque não há vontade de mudar. Os traficantes gostam do dinheiro fácil, os ricos não prescindem da droga e a polÃcia não se faz rogada a entrar nas favelas.
Agora vamos ver o nosso paÃs: o nosso fosso pobres-ricos não é assim tão grande e a nossa polÃcia não gosta de entrar a matar (ultimamente já não sei...). Somos pouca gente e pacÃfica. Dêem-nos um jogo de futebol e o paÃs pára a ver a televisão (sim, estou convencido que até os ladrões encostam num bar qualquer com TV).
Estou convencido de que se a nossa polÃcia começar a entrar a matar, os bandidos vão perder muito mais o medo a matar a sangue-frio. Estou convencido de que a solução está na polÃcia cientÃfica (resultados de análises a menos de um ano), na eficácia dos tribunais (julgamentos rápidos, poucas hipóteses de recurso), vigilância constante dos cidadãos e resposta rápida das autoridades, chegando aos incidentes depressa e com força suficiente para impedir qualquer resposta dos larápios.
Matar nunca melhorou fosse o que fosse. Há que impôr respeito. Há que deixar qualquer transgressor a pensar duas vezes antes de tentar seja o que fôr. Há que ser mais forte e mais inteligente que qualquer um desses infelizes.